Avó

— O que fazes, Avó, aí fora sozinha?

— Aprendo.

Aprendo a ser pequena, minúscula. Aprendo o infinito.

Aprendo a ser transparente, a olhar em vez de ser olhada. Aprendo o sabor do instante na tremura das mãos, nas palpitações de um coração que falha, na dor dos ossos que estalam.

Aprendo a caminhar devagar, a mover-me em limites mais apertados que antes, e a neles encontrar um espaço mais vasto do que o céu.

Aprendo com as árvores, os pássaros e as nuvens. A estar onde estou e a viver no silêncio, a manter os olhos abertos e a escutar o vento.

Aprendo a paciência e também o cansaço. E que a tristeza interior é uma nuvem, tal como o é o prazer.

Aprendo a passar sem deixar vestígios, a perder com desprendimento e a recomeçar sem me cansar.

Aprendo que caminhamos melhor quando nos damos a mão.

E que mesmo um corpo imóvel pode dançar, quando o coração está em paz.

Joshin Bachoux

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